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“Escrito pela jornalista Teté Ribeiro, o livro conta sua trajetória até a Índia, para buscar suas duas filhas geradas por uma barriga de aluguel.”

Lançado em junho de 2016, o livro Minhas Duas Meninas traz o relato da jornalista Teté Ribeiro que, após várias tentativas de engravidar, desistiu e teve suas gêmeas – Rita e Cecília, por meio de barriga de aluguel na Índia.

Ambas atualmente têm três anos. O livro trata da relação dela com a mãe indiana Vanita, casada com Sandip e mãe de Aarav, os primeiros dias das meninas, as particularidades da clínica e os dilemas de ser mãe sem passar pela experiência da gestação e do momento de dar à luz.

Os capítulos do livro não mantêm uma cronologia, mas a autora faz uso de uma linguagem fluida, direta. Muitas vezes, ela sai do presente e retorna ao passado recente ou mesmo remoto.

A riqueza do livro está nos detalhes das descrições. Os primeiros capítulos narram a chegada de Teté à Índia, em que ela procura dar ao leitor uma visão local, falar sobre a cultura e os costumes do povo indiano. Durante o percurso do aeroporto à cidade Anand, onde fica a clínica especializada em barrigas de aluguel, Telé conversa com o indiano Uday, braço direito da Dra. Nayana Patel, a médica especialista em fertilização e dona da clínica e foi designado para ser o seu motorista eventual. Uday é discreto, direto, e com colocações um tanto polêmicas. Telé vê nele uma pessoa que muito a ajudou na logística durante sua estadia quando do nascimento das gêmeas e, depois em 2015, quando retornou à cidade para colher depoimentos de pessoas que diretamente participaram desse momento de sua vida e estão presentes em seu livro.

As mulheres que se sujeitam a ser barriga de aluguel fazem isso para levantar dinheiro para pagar dívidas, os estudos dos filhos ou melhorar de vida. A Vanila recebeu 8.000 dólares pela gravidez de Rita e Cecília, quitou dívidas e guardou uma parte para os estudos do filho. As mães têm que ter entre 21 e 45 anos, serem casadas e já terem pelo menos um filho. A clínica também só permite duas cesáreas.

No decorrer da história, a autora nos retrata o mercado de trabalho indiano, onde a concorrência acirrada por empregos que exijam pouca ou nenhuma qualificação resulta, às vezes, em péssimas condições de trabalho; o sistema de castas também é abordado, e o impacto negativo na vida do cidadão das castas mais baixas.

Em alguns breves momentos da narrativa, a autora conta um pouco de sua família, pai, mãe e irmã. Seu pai, também jornalista, sua relação difícil com a mãe, e sua convivência com a irmã.

Cabe destaque o relato sobre sua breve passagem pelo burocrático caminho brasileiro da adoção. Quando a autora trata do sistema de barrigas de aluguel, ela dá detalhes da técnica na índia e em outros países e fala, também, como surgiram os primeiros bebês de proveta.

Uma curiosidade do livro foi quando Teté, colhendo depoimentos para seu livro em 2015, na Índia, conversou com o casal Melody e Paul Siwek, americanos de Houston, no Texas, também pacientes da Dra. Nayana, e ficou hospedado no mesmo hotel que ela, o Madhubhan. Melody tinha dificuldades para engravidar e o casal contratou os serviços da Dra. Nayana. E usou duas barrigas de aluguel ao mesmo tempo, sendo que cada indiana teve um embrião fecundado. Após dois meses, Melody descobriu que estava grávida. Eles tiveram dois bebês nascidos na Índia no meio do ano de 2016 e uma no Texas, um mês depois.

No livro há fotos dos bebês Rita e Cecília no dia em que Teté as conheceu, da Teté e do Sérgio com suas meninas no colo, da Vanita, do Sandip e do Aarav com a Teté, da Dra. Nayana Patel com algumas mulheres da Casa das Grávidas quando do nascimento do bebê 1.001 e do Sr. Uday, com a Rita no colo, no último dia do casal (Teté e Sérgio) em Anand.

Gostei do livro, pois a autora procura relatar os fatos, sem julgamentos ou opiniões. A leitura flui e o desejo de chegar ao final é real. É uma história que nos mostra os desafios e o desejo de uma mulher ser mãe no mundo contemporâneo, depois de quase dez anos de várias tentativas de engravidar.

Compre já o livro na Cultura e divirta-se.

https://www.livrariacultura.com.br/minhas-duas-meninas-46328286/p

Primeiro encontro de Teté com Rita e Cecília com quatro dias, no hospital Zydus, em Anand.

Lucimar Almeida

Lucimar Almeida, com 65 anos e 47 de carreira profissional. Durante toda a minha trajetória profissional, tenho trabalhado direta e indiretamente com comunicação e sou professora também. Adoro trabalhar com públicos. Escrever é minha paixão. E estou retomando o objetivo de escrever no blog direcionado para a mulher. E a cada objetivo atingido, novos surgem. Esse blog foi criado para a mulher e sobre a mulher, mais especificamente aquela que está na melhor idade. Passar dos 60 não é para qualquer uma, é uma idade que temos de ser quem queremos ser e fazermos o que sempre desejamos.

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