Skip to main content

Pelos becos históricos do Pelourinho até a literatura viva da Casa de Jorge Amado, a capital baiana revela suas raízes afrodescendentes em uma jornada cultural imperdível.

Quem visita Salvador, capital da Bahia, não encontra apenas belas praias e sol escaldante. Aliás, quando recentemente estive lá, estava chovendo, mas foi possível visitar alguns pontos turísticos.

A cidade pulsa história e cultura em cada esquina, e uma imersão em suas raízes africanas é um convite para compreender a alma do Brasil. Neste roteiro cultural, o passeio começa pelo Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), segue pelas ladeiras coloridas do Pelourinho e termina na inspiradora Casa de Jorge Amado, símbolo da literatura baiana e brasileira.

Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira: heranças e resistências

Localizado no centro histórico de Salvador, o MUNCAB é um espaço dedicado à valorização das contribuições africanas à formação do Brasil. Com acervos que vão de objetos religiosos a obras de arte contemporâneas, o museu promove uma reflexão profunda sobre a herança cultural dos povos africanos e a luta contra o racismo estrutural. É um espaço repleto de ancestralidade e a visita emociona porque revela quem somos, de onde viemos.

Pelourinho: o coração do Centro Histórico

De lá, o passeio segue para o Pelourinho, um dos bairros mais icônicos da cidade. Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO, suas ladeiras e casarões coloniais contam histórias de séculos de escravidão, resistência e cultura viva. Ao som do berimbau e dos tambores do Olodum, turistas se encantam com a energia que toma conta das ruas.

Entre igrejas barrocas e ateliês de arte, há espaço para saborear a culinária típica — como o acarajé da baiana na esquina ou a moqueca de dendê servida com vista para a Baía de Todos-os-Santos. O Pelô, como é carinhosamente chamado, é também palco de manifestações culturais e musicais que celebram a ancestralidade afrobaiana.

Casa de Jorge Amado: literatura, memória e identidade

No coração do Pelourinho está a Casa de Jorge Amado, onde o legado do escritor baiano ganha vida. Autor de obras marcantes como Gabriela, Cravo e Canela e Capitães da Areia, Jorge Amado é figura central na literatura que retrata a Bahia com realismo mágico, sensibilidade e humor. O espaço reúne manuscritos, fotografias, objetos pessoais e vídeos, transportando os visitantes ao universo criativo do autor e de sua esposa, Zélia Gattai.

A visita à Casa é também um mergulho na identidade popular baiana, presente em cada linha das obras de Amado. É impossível sair sem se emocionar com a beleza e a força do nosso povo e deixa no coração um sentimento profundo de pertencimento e admiração.

Uma experiência que transforma

Salvador é mais do que um destino turístico: é um território de memória, fé e resistência. Visitar o Museu de Afrodescendentes, caminhar pelo Pelourinho e conhecer a Casa de Jorge Amado é compreender, em parte, o Brasil profundo — aquele que nasceu do encontro entre culturas, das dores e das alegrias de um povo que ainda hoje dança, canta e escreve sua história.

As novelas baseadas nas obras de Jorge Amado: retratos vivos da Bahia

As obras de Jorge Amado, adaptadas com sucesso para o cinema e televisão, como Gabriela, Cravo e Canela e Capitães da Areia, são mais do que histórias ficcionais — são retratos vivos da Bahia, com seus contrastes sociais, sua sensualidade, sua religiosidade e sua riqueza cultural.

Ambientada na Ilhéus da década de 1920, Gabriela narra a chegada da jovem retirante que, com sua beleza natural e jeito livre, transforma a vida dos moradores da cidade. A obra explora o choque entre o moderno e o arcaico, os papéis de gênero, a força da mulher nordestina, e os sabores e aromas da culinária baiana — tudo permeado por uma atmosfera sensual e poética. A personagem Gabriela é símbolo de liberdade e espontaneidade, um reflexo da Bahia viva, diversa e intensa.

Já em Capitães da Areia, Jorge Amado mergulha no universo de crianças e adolescentes em situação de abandono nas ruas de Salvador. Pedro Bala e seus companheiros vivem à margem da sociedade, entre a delinquência e a ternura. A narrativa trata com profundidade temas como injustiça social, infância negligenciada, amizade, solidariedade e sobrevivência urbana. É um grito contra a desigualdade e uma homenagem à infância esquecida.

As novelas e filmes baseados nessas obras imortalizaram personagens e cenários que atualmente fazem parte do imaginário nacional — muitos deles inspirados diretamente nos espaços reais de Salvador e do Recôncavo Baiano. Ao caminhar pelo Pelourinho ou visitar a Casa de Jorge Amado, o visitante sente como se estivesse vivenciando essas histórias, onde cada ambiente guarda um fragmento da literatura e da vida.

Assim, ao visitar Salvador, o turista não leva apenas lembranças — leva consigo um  pouco de história do país e um novo olhar sobre a identidade cultural do país.

Lucimar Almeida

Lucimar Almeida, com 65 anos e 47 de carreira profissional. Durante toda a minha trajetória profissional, tenho trabalhado direta e indiretamente com comunicação e sou professora também. Adoro trabalhar com públicos. Escrever é minha paixão. E estou retomando o objetivo de escrever no blog direcionado para a mulher. E a cada objetivo atingido, novos surgem. Esse blog foi criado para a mulher e sobre a mulher, mais especificamente aquela que está na melhor idade. Passar dos 60 não é para qualquer uma, é uma idade que temos de ser quem queremos ser e fazermos o que sempre desejamos.

Leave a Reply