
Brasília foi presenteada pela passagem de seus 56 anos, com a exposição Mondrian e o Movimento De Stijl, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Um grande presente para os que aqui moram.
Pieter Cornelis Mondrian (1872-1944), conhecido por Piet Mondrian, deixou como legado trabalhos que se aproximam das manifestações de designers, arquitetos e artistas.
Quando falamos de Mondrian, lembramos imediatamente de seu trabalho mais famoso que é a composição com grande plano vermelho, amarelo, preto, cinza e azul. Bem, mas para chegar a esse resultado, ele, durante muito tempo, produziu paisagens carregadas de cores escuras e, muitas vezes, sombrias, que caracterizavam a pintura holandesa do século XIX.
Quando ressaltamos a trajetória de Mondrian, não podemos deixar de falar das influências que ele sofreu de grandes nomes das artes, como as cores e pinceladas vigorosas de Van Gogh, ou mesmo o pontilhismo de Seurat. Num processo contínuo, de conhecimento e desenvolvimento estético de sua arte, Mondrian achou no cubismo uma forma de abstrair a realidade, de buscar a essência da imagem e sua simplicidade. Para ele, a arte moderna era universal e as cores primárias puras, que junto a formas planas, deram a dinâmica de suas telas.
A exposição não se limitou a nos fornecer a cronologia do trabalho de Mondrian e sim do Movimento De Stijl como um todo. Mas o que foi esse movimento? Primeiramente, surgiu a revista De Stijl, criada em 1917, pelo escritor, crítico de arte, poeta e artista Theo van Doesburg, Mondrian e outros artistas. Por possuir uma espécie de manifesto de conduta e pela repercussão que teve no cenário da arte tornou-se um movimento. De apenas uma revista passou, então, a ser o encontro de um grupo de artistas, designers e arquitetos, que apresentavam ideias e teorias sobre uma nova estética, que era unir o que havia de moderno com o cotidiano da cidade. Não buscavam padronização, mas tão somente “soluções específicas voltadas para algumas pessoas, espaços ou circunstâncias, tanto na arquitetura como no mobiliário ou na pintura”.
A cadeira Vermelha Azul que Gerrit Rietveld criou, entre 1917 e 1923, no design, é representativa desse movimento, bem como a casa para Truus Schroder-Schrader “em que aplicou a paleta de cores primárias privilegiando espaços abertos, luminosidade, ventilação e funcionalidade, rompendo com convenções arquitetônicas da época”.
Além de trinta obras de Mondrian, a exposição mostrou mais de setenta obras de outros artistas do movimento de Stijl.
Mondrian me mostrou, em um primeiro momento, ser um intérprete da natureza, preocupado em trabalhar paisagens, com foco no essencial, mas bem tradicional e um tanto acadêmico. Nesse momento de sua vida esse era o cenário artístico em que estava inserido e, conforme foi convivendo com outros artistas, seu trabalho passou a ser mais ousado. A criação do neoplasticismo foi o resultado de uma busca de anos na vida de Mondrian e, mesmo tendo conseguido alcançá-lo em um determinado momento, ele nunca parou de criar e se superar, pois o mundo, como a arte, está em constante movimento.
Obras
No início da sua carreira, Mondrian demonstrava a busca pelas formas simples, como pode ser observado em suas obras abaixo.


Mondrian, com a Composição em Oval, (abaixo) concluída em 1914, busca a abstração, por ser uma comunicação mais universal.

Mondrian passou da abordagem cubista de cores de tons cinza e marrom, para vermelhos, amarelos e azuis – as cores primárias. Os blocos de cor sobre um fundo branco já não fazem referência a um objeto de natureza física, como uma árvore ou um edifício, e as referências à profundidade ilusionista foram eliminadas. A composição é baseada na cor e equilíbrio e dá o mesmo peso a todas as áreas da superfície do quadro, movendo-se em direção ao equilíbrio preciso de suas telas que demonstram maturidade artística.



Essa é sua obra mais famosa, uma associação de retângulos de cores primárias delimitadas por grossas linhas pretas, traçadas por intuição, e que preenchem todo o espaço. O jogo de cores e as linhas abertas dão a ideia de infinito. Para chegar a pintar essa obra, Mondrian teve uma longa trajetória que iniciou em 1892, ao ingressar na Academia Real de Artes Visuais de Amsterdã.







