Assim que foi lançado no Brasil, comprei o livro O último sopro de vida, que traz a história do médico americano Paul Kalanithi, sua trajetória profissional e de vida, cujo desejo de escrever o livro surgiu aos 36 anos, depois de receber a notícia de que tinha câncer de pulmão com metástase em vários órgãos. Deu evasão à sua facilidade em escrever e mostrar os fatos.
A história não é triste, ao contrário. Inicialmente, mostra a rotina de um médico residente neurocirurgião e neurocientista. Uma viagem à sua vida como médico em hospitais, no desenvolvimento de suas pesquisas, e depois como paciente e médico ao mesmo tempo, no tratamento do seu câncer.
Em consultas com sua oncologista, ele atuou como médico, definindo junto com ela o seu tratamento. Para ele foi difícil, pois ele tinha conhecimento total e real da sua situação de doente incurável, com pouco tempo de vida.
Esse tempo que lhe restava o fez planejar sua vida, a fim de viver novas emoções, como ter uma filha com sua esposa Lucy Kalanithi. Ela nasceu em julho de 2014 e se chama Elizabeth Acadia, carinhosamente chamada de Cady, a quem ele dedicou o livro.
O que fica para as pessoas, depois da leitura do livro, é a busca do neurocirurgião pela perfeição, a preocupação em dar o seu melhor como médico aos seus pacientes, e que pode ser visto em suas palavras “fui atraído pela neurocirurgia, com seu implacável apelo pela perfeição”.
Interessante o trecho em que ele afirma que “os médicos cuidam de doentes, mas os neurocirurgiões trabalham com a essência da identidade: qualquer operação no cérebro é uma manipulação da substância de nosso eu”. Com essa frase ele quis dizer que a cirurgia no cérebro é dramática e não é simplesmente viver ou morrer, mas que tipo de vida vale a pena viver. Ele considerou o risco da pessoa não ser a mesma de antes.Ter uma perda cerebral, de memória ou mesmo viver de maneira vegetativa.
A finalização do livro e sua edição ficaram sob responsabilidade de sua esposa, cumprindo, assim, seu último desejo. Ele deixou o manuscrito inacabado, quando veio a falecer, em 15 de março de 2015.
Morrer antes dos 40 anos, e de câncer, quando se está iniciando a vida familiar e com uma trajetória profissional cheia de desafios é difícil, mais ainda quando se trata de um médico com uma carreira brilhante como neurocirurgião que conseguiu, mesmo doente, terminar sua residência. Ele teve de redesenhar seu breve futuro, a partir da descoberta da doença. Ele lutou “por dias mais ricos de propósitos e significados”. E conseguiu. Ele foi um médico e ser humano notável. Ele fez com que cada momento de sua vida tivesse realmente valido a pena.




